Um sistema de posicionamento global para os desafios atuais




Tópicos
ESTRATÉGIA PARA A CRISE Há uma crise política quando os interesses económicos do país estão ameaçados, e as relações de poder com a sociedade e entre instituições estão desequilibrados.
Sabe-se que, segundo os partidos, há estabilidade governativa, e, até ver, a sociedade não se radicalizou. O uso dos procedimentos de crise, vulgarizando-a, antecipa dificuldades possíveis na economia. Comprometem-se os partidos, para que o Presidente possa controlar o cenário.
Se ninguém antecipa a crise, o Presidente lança uma estratégia de antecipação e legitimação para lidar com um possível tempo de problemas.


GOLPE TURCO O golpe de Estado quer mudar o poder. Costuma ter a intervenção militar, que tem a iniciativa, ou que apoia o movimento popular. Usa-se o monopólio coercivo do Estado como instrumento de democratização. Ocorre quando há instabilidade social e incerteza política. Mas na tentativa turca de mudar as regras do poder não havia incerteza política. Com a instabilidade, menos segurança pública, mais dívida privada e corrupção, em Março previam o golpe. Esqueceram no entanto que a perseguição de opositores e a tentativa de destruir instituições como o Tribunal Constitucional, apontavam para o reforço do poder que quer ser absoluto, e não uma procura do poder em falta.


IMIGRAÇÃO REAL Há uma corrente que deprecia politicamente a imigração, chegando a contaminar as lógicas da economia local. Mas a imigração é um acelerador.
Com políticas que estimulem a diversidade da oferta, aumentará a procura local. Incentivando a criação por imigrantes de postos de trabalho.
Com mais emprego local, os setores não comerciais tenderão a aumentar as suas receitas. Para isto, o poder tem que estar preparado para a riqueza: da diversidade, com mais migrantes nacionais; e do problema redistributivo.


REMISSÃO PÚBLICA O promíscuo pode não conviver com o bem público. Mas quando se justifica a remissão, convertendo o que está mal no que é indiferente à República, sinaliza-se a desculpabilização, o "rigor do tanto faz". Aceita-se assim a falta de reputação para o exercício político.
O bom nome, que depende do comportamento, passa a depender do que não se faz. A omissão e o esquecimento superam a falta. O ato passa a pormenor.
Materializa-se a circunstância do tempo e do Estado de fazer de conta, expondo a verdade à razão que não quer saber dos factos. Ocultando e desligada de ser a razão de um Estado apagado, convida os populismos.


MENTIRAS DA GUERRA Em teoria, há um projeto congeminando a guerra, como ato contínuo, assente no estado de natureza ou na apreciação divina. Assente numa ordem que nos escapa e que, com a guerra perdida, nos retira um controlo que já não tínhamos nem merecíamos. O Ocidente perdeu a paz? A guerra será sobre primazia. Não é feita de verdades, mas sai vitorioso o que a obtém. Assim, a acusação de mentira num projeto de guerra vem reconhecer que o vencedor não ficou com a verdade e relembra que não houve vencedor, ou que a congeminação contínua.


RELIGIÃO NACIONAL Há estudos que dizem que, na Europa, a religião não é crucial para a nação: o sentido nacional está no idioma falado, no local de nascimento e na partilha dos costumes e tradição.
Mas a religião é tradicional (também pode ser moderna). A religião de partilha significa uma prática de respeito.
O que quer dizer que está nos costumes da nação. Esta pode não ter um sentido religioso, mas permite o acolhimento da fé cristã, muçulmana, ou outra. Ou seja, a religião é crucial para o sentido nacional.


A VIOLÊNCIA DA SEGURANÇA O discurso urbano em formas de violência justifica-se pelas desigualdades étnicas, com pobreza dada e dignidade retirada.
A violência armada resulta da maior exposição de insegurança. Sem o recurso seguro, as gerações urbanas orientam-se pela capacidade de violência, a sua gestão e prática.
A polícia tem que estar junto das fontes de insegurança, dos autores de violência até às vítimas. Dizem que não se pode dar com uma arma para querer receber a paz.


UE SEM O REINO UNIDO Com o Brexit, o Reino Unido terá de renegociar um acordo, à partida, parcial com a UE. À semelhança da Noruega ou da Suíça.
Sem acordo comercial, os britânicos sentirão o aumento dos impostos, e serão obrigados a renegociar os acordos com todos os países.
Se o Brexit, contra a harmonização, justificou-se pela recuperação da soberania para lidar com problemas como o da imigração, um projeto de harmonização pode ser importante para o reforço político da UE com as suas nações.



BREXIT Para alguns economistas, os maiores perdedores com o Brexit são os britânicos. A indefinição futura vai levar à crise económica.
Continuará a desacelaração da economia. Para o Reino Unido, no futuro os custos vão exceder os benefícios.
Externamente, vão perder capacidade de influenciar a regulamentação europeia. Internamente, com menos imigração será reduzida uma fonte de crescimento.





Março - 2019 EXTRATEXTO.pt




Um sistema de posicionamento global para os desafios atuais