AS FORMA DE GOVERNO



O FUTURO DA DEMAGOGIA
DEMAGOGISMO MORAL

Como oposição à denúncia da falta de realidade.

Começa

com as divisões judiciosas.
Alimenta-se
contra o outro.

O Estado abrange um grupo dependente na produção de conhecimento, obrigando outros ao trabalho competitivo, controlando pelo financiamento uma indústria científica que, aliás, monopoliza. A dependência do Estado suporta a soberania acima do quadro da lei, e como resposta à incompreensão do sentido de justiça – que, de resto, se revelam na preocupação teórica em dividir a problemática judiciosa nos contextos da finança, da política, da religião. A soberania, como instrumento de dignidade, materializa-se assim na dependência geral: um monopólio do Estado.

O controlo da produção de conhecimento tem o efeito de tornar a informação relativa. Logo, edificando o conhecimento como prática absoluta. É esse modo relativo que assume a reversibilidade permanente, a entropia. Não quer dizer que haja esquecimento, mas há indiferença afirmativa, com medo ‘consequencialista’. Esta materialização da dependência evidencia-se pelo dinheiro, que permite a organização social pelo olhar da finança.
Não é por acaso que as crises económicas propiciam os fenómenos populistas, encabeçados por milionários que, na figura política, facilitam que a demagogia entrópica alastre à economia. Perante a demagogia económica reconhecem-se as incapacidades da democracia sem resposta para as necessidades. Pelo avesso, também faz aumentar a condição expectante, com resultados de 1) políticas do imediato, e a imposição das respostas de curto-prazo; 2) reforço do valor especulativo do Estado e do valor social; 3) afrontamento económico, exigindo as mesmas leis com outras ordens, formalizando as divisões e o modelo das fidelidades: recorde-se que sem o sistema legalista assente na desconfiança permitida entre as pessoas aumenta a pena da desconfiança direta. A ideia demagógica que se alimenta contra o outro.

Este plano, imediatista, intencional e fatalista, compreende o que pode ser considerado o capitalismo moral na voz do oligarca. O rico representa o mito, o inacessível para os pobres. E medeia a relação com o divino, o que já acontecia na antiguidade.
Procura-se quem tem a salvação, até porque a riqueza não é compreendida nos contextos de pobreza. Se se aplicar uma teoria da riqueza, projetar-se-á a nação para o que não é. Este demagogismo moral leva o povo ao baile, mas sem sapatos. Tudo muda, menos o oligarca. Diminui a perceção das necessidades que são subtraídas nos novos contextos, e nas realidades diferentes formaliza-se a divisão económica do Estado, e posteriormente a divisão da economia entre a sociedade e o resto. Esta sobra não é marginal porque forma a justificação permanente para a demagogia entrópica, desmantelando a ideia grupal e do elitismo crítico.

Trata-se de um humanismo demagógico que confere existência à presença que combate, opondo-se assim aos que denunciem a falta de realidade.





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Março - 2019 EXTRATEXTO.pt




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