Um sistema de posicionamento global para os desafios atuais




O FUTURO DA DEMAGOGIA
A JUSTIÇA INEVITÁVEL

Exigirá o combate geral aos que mandam na lei, impondo o fim da separação de poderes, ou a entrada no despotismo.

O mecanismo da soberania

pode ficar contra a lei.
A remoção das injustiças
com a subversão e desobediência.

A crítica de justiça que o demagogo faz é o resultado da moral ausente do Estado institucionalmente fraco, caótico e dominado por minorias de tecnocratas que se anulam. A ausência moral, insuflando a perceção de injustiça, permite que o demagogo crie um novo sentido de justiça, mais fulanizada e direta. Portanto, uma nova conceção de bem.
Um dos mecanismos criados para proteger a dignidade das populações, e que facilita a ação do poder, é a soberania. Possibilita a realização do Estado contemporâneo através da lei. Porém, se o quadro legal acaba por prevalecer, com as regulações beneficiando uma minoria de poderosos, emergirão novas teorias para o parcelamento soberano. A escassez de dignidade, num processo acumulado até à exaustão neoliberal revelada no relativismo geral, leva o demagogo a impor a soberania sobre a lei, atribuindo uma comparação moral que inexistia – e esta comparação traduz-se na escolha do povo.

O sentido de propriedade com o Estado, formatando a identidade social e o domínio político pela soberania, devolvem um tipo de dignidade. Exigirá o combate geral aos que mandam na lei, impondo o fim da separação de poderes, ou a entrada no despotismo.
Não pode haver, no entanto, remoção das injustiças sem subversão e desobediência. O paralelo de aniquilações é acionado: a crítica de justiça apaga a crítica; de manifesto contra as minorias passa a programa individual de poder; a escolha transforma-se em imposição. A inevitabilidade assume a desobediência como ação libertadora, e a subversão como movimento de construção dessa escolha.

Assim, a subversão materializa a desobediência, racionalizando o ato político e distanciando-o da reação selvática. A desobediência permitida pela democracia livre culmina em hipersensibilização individual, reagente à própria liberdade.
Nestes contextos agressivos a extrapolação subversiva reforça o demagogo, e a necessidade da subordinação ao carismático. A subversão constante mostrará como a demagogia sobrevive apenas com o inimigo próximo – neste caso, contra a minoria que representar o passado do Estado: as instituições que, nesta lógica, serão sempre subversivas, porque continuarão a representar um modelo sem legitimidade.
O primado da sociedade de desconfiança, que surge com a lei no pós-feudalismo, manter-se-á, mas com a mudança do elo, da lei para o líder.




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Março - 2019 EXTRATEXTO.pt





AS FORMAS DE GOVERNO