A CONSTRUÇÃO DO INIMIGO
Observa-se que o pretendido controlo das massas surge com as promessas demagogas: as do cumprimento facilitado, através da equação de separar e libertar a maioria; as exigentes, que dependem do combate e capacidade de luta do povo; e as inconcebíveis, de projeção moralista. Esta ação política do demagogo ganha escala de libertação quando passa a diabolizar. A demonização começa por ser simples — começa pelo próximo e mais fragilizado socialmente. Aliás, a proximidade é para a demagogia um instrumento de eficácia, contrariando a intermediação.
A construção do inimigo é uma das tarefas das massas controladas. Os limites que esta construção estabelece faz o inimigo, mas também a dimensão do próprio confinamento.
Trata-se de uma obra social-demagógica, que 1) reforça a proximidade instrumental para a união, 2) concretiza a participação política do indivíduo. Neste sentido, o motivo concreto que é dado à cidadania participante formata juízos e sentimentos para com o regime, dando razão de ser ao Estado, aumentando a identificação com a política e devolvendo dignidade coletiva ao indivíduo amoralizado.
O sentido de pertença recíproca na relação com o Estado facilitará os canais de difusão e manipulação do demagogo. Por fim, o inimigo construído pelo povo, e portanto, uma ameaça constante e próxima do próprio povo que o interiorizou, não deixará de ser um contributo para que se constate a superioridade moral dos que estão do lado da política demagógica, ou seja, o verdadeiro povo, contra tudo o que a maioria nacional não comporta, afirmando as rejeições gerais.
A formação da maioria nacional do poder exige 1) a exclusão de minorias, 2) o domínio dos tempos de poder, desafiando a separação de poderes, 3) e novos conceitos de justiça, até porque a demagogia assenta na crítica de justiça do Estado, normalmente porque persegue uma conceção pessoal do bem.
O sistema democrático constitutivo de maiorias, agregando minorias, dando-lhes condições de anulação, de passividade e marginalidade segundo a tolerância cívica por um lado, e recetividade, acolhimento e acesso social, pelo outro lado multicultural. Muitas vezes, representa o bloqueio da renovação das elites, o dano para a intervenção da minoria dominadora, que se ausenta, e que tenta ser compensado por um nível crescente e desesperado de representatividade no poder.
A incapacidade de expansão para o mosaico elitista, limitado pela diversidade, obriga o Estado a descomprometer-se com as identidades clarificadas, potenciando um exercício de poder pela proximidade. A incapacidade de expressão do poder, o confinamento dos nativos, e a inação das minorias, passam a reclamar uma proposta pré-ideológica de controlo — a demagogia.
O inimigo construído pelo povo é uma ameaça constante e próxima do próprio povo.
O presumível verdadeiro povo
defende rejeições gerais.
defende rejeições gerais.
O Estado descomprometido
potencia a demagogia.
potencia a demagogia.
O sentido de pertença recíproca na relação com o Estado facilitará os canais de difusão e manipulação do demagogo. Por fim, o inimigo construído pelo povo, e portanto, uma ameaça constante e próxima do próprio povo que o interiorizou, não deixará de ser um contributo para que se constate a superioridade moral dos que estão do lado da política demagógica, ou seja, o verdadeiro povo, contra tudo o que a maioria nacional não comporta, afirmando as rejeições gerais.
O sistema democrático constitutivo de maiorias, agregando minorias, dando-lhes condições de anulação, de passividade e marginalidade segundo a tolerância cívica por um lado, e recetividade, acolhimento e acesso social, pelo outro lado multicultural. Muitas vezes, representa o bloqueio da renovação das elites, o dano para a intervenção da minoria dominadora, que se ausenta, e que tenta ser compensado por um nível crescente e desesperado de representatividade no poder.
