Um sistema de posicionamento global para os desafios atuais




A RENACIONALIZAÇÃO
RECURSOS BRUTOS

A nação estava a ser perdida, sobretudo, pela falta de liberdade política.

O desnacionalizado

tenderá a ser prejudicado.
Não há mudança

sem recursos.

A recuperação soberana reconfigura a sociedade. Assenta em princípios de controlo crescente, ao mesmo tempo que contraria a evolução dos costumes. A reação e os manifestos de ignorância são uma outra fantasia de engenharia social. A reação que tenta proteger os costumes. A ignorância porque leva a que uma sociedade inteira se esconda na areia. De facto, não há assimetria debaixo da terra.
A renacionalização interfere também com o curso da globalização, nivelando o problema de relação com o local. Por outro lado, tem custos associados, confrontando a liberdade, e minimizando-a perante a igualdade ideológica. O que quer dizer que o que estava desnacionalizado tenderá a ser prejudicado. Uma das opções poderá ser a conversão dos danos em oportunidades com um programa redistributivo que, em paralelo, tentará colmatar a ineficácia.

Consequentemente, o controlo do Estado demonstra que a nação estava a ser perdida, sobretudo, pela falta de liberdade da sociedade política.
O desenho das ligações transnacionais impede que o poder político esteja em todo o lado. Aumenta a margem para a incapacidade de escrutinar e a desculpabilização externa. São motivos para as identidades encontrarem uma razão comum que as afaste da desintegração. A questão é que a acumulação das partes dificultará as possibilidades de afirmação do Estado que era. Precisar de mudar o Estado é o desafio da renacionalização.

Mas não há mudança sem recursos. Terá de haver um excesso instrumental que permita a operação da mudança. Por exemplo, o clássico recurso à força, ou a abundância material que compense os danos e financie as transformações. O recurso à força bruta evoluiu para a intransigência, para as leis do medo, os planos de expulsão. Ou a riqueza interna como fonte de inspiração estatal, com os danos a recaírem sobre as sociedades de mercado.
A capitalização interna permite que o Estado obrigue à sua retenção. Mas a interferência no fluxo de capitais poderá ameaçar a renacionalização com custos sociais, agitando o mapa comercial e o de investimento. Para os investidores, os custos sociais, ou os benefícios dados à sociedade, justificam a redução do investimento. Sem assimetrias de vulto não há expetativas, condenadas então pela insistência política sobre as necessidades.
Para o investidor, trata-se de financiar as incertezas. Se as necessidades aumentarem, o investimento diminui. É um jogo de risco mínimo. Começa pela redução de expetativas, que o poder político contrapõe com a estabilidade. Mas a estabilidade pelo controlo político resulta na estagnação. O grande investimento público está justificado. Pago pela capacidade do Estado, que no entanto terá de custear as necessidades com a poupança, ou com a dívida. Para o investidor, trata-se agora de financiar as certezas. Sabendo que nada é mais especulativo e subversivo que o dado adquirido.
Assim, a escassez política que obrigou ao movimento renacionalizado, e que retirou espontaneidade ao diverso, acabará por hipotecar a dignidade social.




EXTRATEXTO - modos de pensar


Março - 2019 EXTRATEXTO.pt




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